domingo, abril 01, 2012

Novas denúncias complicam ainda mais situação de Demóstenes


Senador do DEM é acusado de manter ligação com empresário preso em fevereiro
Novas denúncias contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o empresário Carlos Cachoeira, preso desde o dia 29 de fevereiro por suspeita de comandar um esquema de jogos ilegais, complicaram ainda mais a situação do político neste fim de semana.

Demóstenes foi flagrado em conversas telefônicas pedindo dinheiro a Cachoeira, de quem já admitiu ser amigo, e também aparece em outros diálogos, obtidos pela Polícia Federal com autorização da Justiça, que apontam indícios de que ele ajudava o empresário em seus negócios.

Neste fim de semana, novas escutas telefônicas obtidas pela imprensa mostram que as ligações entre Demóstenes e Cachoeira envolveram até mesmo as licitações para a Copa do Mundo de 2014.

Em uma das gravações, Demóstenes pediu ajuda ao empresário para que um amigo, dono de uma agência de publicidade, vencesse uma licitação em Mato Grosso.

Em outras escutas, a Polícia Federal descobriu que Cachoeira contava com a colaboração de funcionários públicos para facilitar a entrada de mercadoria contrabandeada no Brasil.

A denúncia diz que o empresário ligava para servidores da Infraero e da Receita Federal para combinar como, quando e onde as mercadorias chegariam.

Em uma das gravações, feita no dia 4 de janeiro de 2011, Cachoeira, que estava em Miami (EUA), liga para o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias para combinar sua chegada ao País via Brasília.

Matias, então, avisa a um funcionário da Infraero, Raimundo Costa Ferreira Neto, sobre a chegada do empresário. O servidor seria o responsável por garantir que Cachoeira não fosse "perturbado" pela fiscalização da Receita Federal.

Em outro episódio, Matias e Cachoeira acertam a chegada de um grupo de pessoas ligado ao empresário. Detalhes como a cor da roupa de um dos passageiros são repassados aos funcionários públicos.

Deputado tucano também é suspeito 
Diálogos interceptados pela Polícia Federal revelam que, assim como Demóstenes, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) também negociava com a máfia dos caça-níqueis supostamente comandada por Cachoeira.

O tucano, segundo as investigações, recebeu depósitos bancários e bens, inclusive imóveis, obtidos com atividades ilícitas. 


Leréia é aliado do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e, a exemplo de Demóstenes, também usava um telefone da marca Nextel, habilitado nos Estados Unidos, cedido por Cachoeira para dificultar grampos nas comunicações do grupo. 

Entre os valores destinados ao deputado tucano e já rastreados estão um depósito de R$ 100 mil, feito na conta de uma empresa comandada supostamente por laranjas - a Linkmidia Tecnologia da Informação e Editoração Ltda - e uma sociedade com Cachoeira em terreno avaliado em R$ 800 mil, em um condomínio de luxo em Goiânia. 

Ultimato 
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu abrir inquérito e autorizou a quebra de sigilo bancário do senador do DEM , que tenta explicar as ligações com Cachoeira. 

O partido deve decidir o destino do político até a próxima terça-feira (3). Se Demóstenes não conseguir se explicar ao DEM, são grandes as chances de que ele seja expulso da legenda.

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